Cananéia e a Revolução de 32
SETURC - Secretaria de Esporte e Turismo de Cananéia
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| Cananéia teve sua participação na revolução de 1932 quando foi invadida por tropas do Rio Grande do Sul lideradas pelo tenente Gumercindo Saraiva, que vieram por terra pela trilha do telegrafo (Guaraqueçaba / Batuva / Santa Maria), estrada do Ariri até o Itapitangui e por mar pela Barra Grande com o navio Itajubá auxiliado pelo rebocador Carioca, ficando as tropas sulistas em Cananéia por dois meses.
Existia um Barracão no Sta Maria do imigrante Walter Stainer na qual houve o primeiro entrevero, quando o Sr. Alcides Marques sendo interpelado pela tropa inimiga, este vendo-os famintos negocia a busca de mantimentos, o que na verdade era a sua fuga para avisar seu conterrâneos. Estes preparam a primeira resistência na casa de pedra do Tabatinguara. Alcides Marques antes de sua fuga prepara armadilha em sua morada no cinzel da fornalha enchendo-a de balas de fuzil esperando que as tropas sulistas esfomeadas acendendo a fornalha terem serias baixas. Dando tempo com isso que a principal defesa se organiza-se na casa de Pedra do capitão do Mato do Mandira. Houve violento combate com várias baixas das tropas invasoras na localidade chamada de banhado do porto do meio. Recebendo reforços e melhor equipada as tropas invasoras vencem mais essa defessa e requisitam quarenta canoas e rumam por terra e por mar para o bairro do Itapitangui. La cercaram a casa do telegrafo, administrado pelo Sr. Arcendino Fraga que, mesmo sabendo da invasão e recebendo ordem de rendição, recusa-se a abandonar o posto. Pede e obtém salvo conduto para sua família enquanto cavava no chão de terra batida uma pequena cova rasa na qual tenta se proteger. Após a saída de sua família a casa foi metralhada , ficando gravemente ferido. Fingindo-se de morto engana o seus inimigos e mais tarde é resgatado por amigos e vizinhos. (Seu Arcendino trabalhou nos correios até sua morte. Faleceu em 1965, tendo um funeral de verdadeiro herói.) Logo após esse incidente as tropas sulistas invadem Cananéia usando 3 caminhões da firma Ivo Zanella de Pariquera e as canoas requisitadas no porto do meio. Tropas paulistas lideradas pelo Coronel da Força Pública Pedro Arbues, juntamente com os irmãos Tenentes Lobo do CIESA de Santo Amaro invadem Cananéia vindos por Iguape chegando pelo caminho do Brocuanho até o sítio dos Paiva onde organizam a retomada da cidade. O Padre Joaquim Agra atrai as tropas inimigas a Igreja para uma missa de confraternização, quando no meio da missa soldados constitucionalistas escondidos atras do altar mor dão voz de prisão aos soldados sulistas, que reagem dando início a tremendo tiroteio na qual é ferido e preso o tenente Gumercindo Saraiva, logo depois transferido para convalescência em Iguape. Com reforços vindos do Sul as tropas federais retomam Cananéia e em combate cercam as tropas paulistas no Itapitangui, que recebem ordem de rendição. O Coronel Pedro Arbues reúne as tropas e declara que apesar de saber que sua causa era justa, pede para que seus homens se rendam, e ao inimigo que seus homens sejam poupados, mas ele mesmo recusa-se a render-se. Estando sozinho entrincheirado, recebe intimação para render-se . Este alega não o poder fazer, pois "um Oficial da Força Publica de São Paulo não se rende jamais", no que então é fuzilado pelas tropas sulistas. O Tenente Gumercindo Saraiva ao saber da morte fica consternado e diz do desperdício da morte de um Oficial de tal valor pois havia sido tratado com dignidade pelo Coronel Arbues quando foi ferido no ataque na Igreja e removido em segurança para Iguape. O Padre Joaquim pela sua ousadia e lealdade aos lemas paulistas foi surrado à ponta de baioneta. Parte para Juquiá, o destacamento do «Batalhão Redemptor Filhos de Iguape» a 4 de agosto para combater as forças Getulistas lá instaladas. Embarcam no Vapor «Rio Una» sob aclamação cívica dos que ficavam em terra. O Grupamento era composto por 41 voluntários Iguapenses e 17 jovens voluntários da cidade de Cananéia incorporados a Digno Pelotão. O comando da Região era feito pela Companhia Isolada de Exército de Sto Amaro – C.I.E.S.A. O povo paulista em sua totalidade faz seu esforço de guerra unindo-se de todas as formas, doando seus pais e filhos como soldados e suas mães e filhas como braçais. Substituem-se os homens nas linhas de produção e na lavoura. Nos hospitais de socorro à guerra atuam mulheres e filhas como enfermeiras. As crianças atuam como correspondentes do correio entre as tropas. O povo paulista também faz campanhas como «Ouro para a Vitória» e «Dei ouro para o bem de São Paulo» como forma de participação mais ativa no financiamento da revolução e como forma de expressar sua solidariedade a tão honesta e digna causa. |