Cristãos Novos no Brasil
Nancy Garcia Pires
nancy@cananet.com.br
| Pesquisas demonstram que é incontestável a presença de muitos cristãos novos no Brasil já no início da colonização. Para compreendermos tal fato, devemos nos reportar para a Europa do séc. XVI de XVII.
Devido a Reforma Protestante houve um arrefecimento da Inquisição, a perseguição aos considerados hereges se estendeu aos judeus que, para escapar das fogueiras se “converteram” ao cristianismo, mas, na realidade, mantinham as práticas judaizantes em suas casas. A perseguição a este grupo tornou-se bastante feroz na Espanha, durante o reinado de Isabel e Fernando, os reis católicos. Tal situação levou os judeus sefarditas que ali haviam se instalado a transferirem-se para Portugal onde o processo inquisitório parecia, pelo menos por algum tempo, mais abrandado. Porém os judeus sefarditas foram obrigados a se converter para não acabarem na fogueira. Muitos, com o intuito de escapar, foram para os Países Baixos transferindo para lá grande parte do capital português, já que as casas bancárias eram por eles controladas; outros, com o mesmo objetivo, vieram para o Brasil acreditando que tão longe a Inquisição não os iria encontrar, fato que não ocorreu. Acredita-se que no início co processo colonizador três quartos da população branca era composta por cristãos novos. Por isso, não é de admirar que, uma das figuras mais ilustres de Cananéia, o Bacharel, tenha sido um cristão-novo. |