Amigos de Cananéia
Marcio Martini
marcio@cananet.com.br
| - E ... vamos para a praia.
É verão. Tem sol que não acaba mais. O calor é de matar. Não dá pra dormir. Não dá vontade de nada. Só sede, e que sede. Nossos amigos, muito animados, chegam em casa gritando: - Vamos abrindo as latinhas. Vamos lá pessoal. Tá certo que são só 9:30 da manhã, mas ... em algum lugar do mundo já tá na hora de começar a beber. Por isso SKOL, PROST, TIM-TIM, A-TCHÔ-TCHÔ, A LA SANTÉ, SALUTE, SAÚDE, ou qualquer outro brinde. O que vale mesmo é uma boa cervejinha. Claro que tem que estar bem gelada. E estas aqui estão mesmo. Dormiram no isopor com gelo moído do Ceagesp desde ontem. - E ... vamos para a praia. - Estupidamente gelada. Deliciosa. Saborosa. Gostosa. Apetitosa. - Hummm ... pára, pára, que tá dando vontade de tomar outra. Uma delas interfere: - Não, não! Vamos esperar pelo menos atravessar a balsa. Do lado de lá a gente começa de novo. Um de nós fala: - Bom, então vamos esperar. Mas, essa fila toda de carros aí na nossa frente, e ainda estamos aqui perto do Estância, não sei não. Vai dar umas duas horas de espera. - Que tal umas ostrinhas lá no Jairo? - Boa idéia. A gente senta lá nas mesinhas de fora e fica apreciando o movimento. Chegando lá: - Nossa como tem gente de fora por aqui. - Bom, vamos fazer nosso pedido. Jean, manda duas dúzias, sem passar na água doce que é pra não tirar o sal. - Bem, pra beber, ... vê se você tem aí uma cerveja bem geladinha. Claro que tem. Onde já se viu no Jairo não ter cerveja gelada. E ela vem naquela cumbuca de isopor pra segurar ainda mais o gelado ... uma delícia. - Ih, corre lá pra puxar o carro na fila. E mais uma ostra, mais um golinho. - Ih, corre lá de novo pra puxar o carro. E ele: - Dessa vez eu não vou. Vai você, afinal direitos iguais para todos, não é? E outra ostra, um camarãozinho, outro golinho e ... tcham tcham tcham tcham ... a nossa vez na balsa chegou. - Jean, avisa o Jairo que na volta eu acerto. Logo depois: - Legal, agora que já passamos pra ilha, abre umazinha pra gente guentar chegar até o Rizzi. - Legal, legal mesmo. Dureza são só essas costelas-de-vaca da estrada. - Bom, quem sabe o Mario passa por aqui um dia com aquela Patrol e nivela tudo. - Será?! Olha que agora aqui é outro Município, lembra? Lá no Rizzi: - E agora, esquerda ou direita? - Seguinte: hoje vamos passar o dia no Capivarú. Lá tem água doce e água do mar e dá pra escolher. - É mesmo! A água tem cor de Coca-Cola mas é limpíssima. Lá chegando, uma delas: - Bom que já chegamos, tava dando sede de novo. E a outra: - Eu hein, como você bebe! E ela dando os ombros: - Arrumem os jipes olhando pra ilha que é pra poder abrir as caçambas e fazer uma sombrinha aqui nas cadeiras de praia. Um deles: - Vamos começar com caipirinha! Quem quer de vodca, quem quer de pinga? Não, o rum ficou. Não João, o conhaque também não veio, Tá muito calor. Um outro: - Pra comer tem coisa até demais. E aquele: - Se não bastasse, vocês pararam no Rizzi e trouxeram uns peixinhos. A que não bebe "muito": - Hum, que delícia. A Antonia faz esse peixe frito como ninguem! O primeiro: - E vamo que vamo. Mais cerveja! E, depois de mais cerveja, mais peixe, mais sanduíche, um pedaço de queijo, outra latinha, um salaminho, um pedaço de torta, um salgadinho com patê que "só ela sabe a receita"... Ela: -Que beleza de verão. Ele: - Bom, agora tá dando um soninho. Vou dar uma espichada aqui do lado dos jipes. - Você não vai passar um bronzeador? Com essa cor amarelo-escritório que você tá, vai ser uma fria! - Nada disso; não preciso. Sei me cuidar bem. Deixa comigo. Muito sol e algum tempo depois, ele: - Ui, ui, ui! Não aperta que dói. Tá tudo queimado. Por dentro é uma azia que só vendo. Por fora é esse vermelhão-camarão. Essa camisa tá apertando ainda mais. Ela, italianíssima: - Mas eu te avisei que o sol daqui era bravo! - É, ... mas você podia ter me acordado. Um silêncio. Depois ela meio rouca: - Não dava. Eu tava dormindo embaixo do nosso jipe! Bom, vamos embora que eles já foram. - Puxa, como estava salgada aquela torta. - É, eu também achei. - Escuta aqui, queimação por queimação, quer saber ... me dá outra cervejinha aí, que é pra começar tudo de novo. Muito mais tarde, encontramos com eles no Jajú. O primeiro: - E aí gente, tudo bem? Tô morrendo de fome. A outra: - Vocês têm que vir com a gente no Kushihara. Eu pedi um sashimi e um tempurá só pra vocês, que eu sei que vocês gostam. O outro: Olha, nós estamos programando pra amanhá um pulinho no Pereirinha. Vamos assar uma carne e tomar umas latinhas. Vocês vão com a gente, não é? E, antes mesmo da resposta, o primeiro: - Ah ... Eu já separei até o conhaque! A propósito, o bronzeador também. Sem responder, pensei: - É ... que fazer! E, plagiando o poeta, respondi: - É, ... amigo é pra essas coisas! Depois fomos dormir, tomando uma Coca-cola com 2 Engovs. |